Morre Tia Leah, uma das precursoras do vôlei de praia, aos 93 anos

09.07.2012 | 18h50

 

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Tia Leah tinha uma rede no Posto 6, em Copacabana

Tia Leah tinha uma rede no Posto 6, em Copacabana

RIO DE JANEIRO, 09.07.2012 – Uma das precursoras e figuras mais queridas do vôlei de praia carioca e brasileiro faleceu neste domingo (08.07). Leah Mendes de Moraes, conhecida carinhosamente como Tia Leah, teve um infarto e morreu aos 93 anos. O sepultamento aconteceu na tarde desta segunda-feira (09.07), no Cemitério São João Batista, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Tia Leah nasceu em 1918 e se apaixonou pelo vôlei na década de 30. Ela começou a jogar vôlei na quadra, no Instituto de Educação, na Tijuca, Zona Norte do Rio. Mas foi quando se mudou para Copacabana, na Zona Sul, que se encantou pela praia e por um esporte que era praticado ali. E normalmente por homens.

“No Instituto de Educação, ela chegou a ser escolhida a jogadora do ano certa vez. A paixão dela pelo vôlei nasceu ali. Quando foi morar em Copacabana, passou a jogar o vôlei de praia. E foi uma das precursoras no esporte. Talvez tenha sido a primeira mulher a jogar na praia. Ela tinha uma vasta história e era querida por todos”, comentou o sobrinho Vitório Mendes de Moraes.

Entre as décadas de 60 e 70, Tia Leah passou a administrar a rede do Posto 6, em Copacabana. E era ela que mandava no pedaço. Como o sobrinho mesmo afirmou, “aqueles de quem ela gostava, jogavam; os que ela achava mau elemento, não jogavam.” O local não demorou a virar um ambiente esportivo e social. Todos os jogadores e famosos passaram a jogar ali.

“Todos os jogadores faziam questão de jogar na rede dela. Era até currículo! Os atletas da seleção brasileira treinavam pela manhã na Escola de Educação Física do Exército e, depois, seguiam para jogar na rede da Tia Leah”, lembrou Marcos Antonio Pina Barbosa, ex-superientendente geral da CBV e amigo de Tia Leah.

Pina, que representou o presidente Ary Graça no sepultamento na tarde desta segunda-feira, lembra que ele e Bernardinho eram tratados como os “sobrinhos” preferidos de Tia Leah, que não tinha filhos.

“Ela passou, mas nos deixou uma história linda, fantástica. A vida dela era o voleibol. Tinha um ditado dela, que ficou conhecido, que dizia: ‘aqui, na minha rede, é uma democracia absoluta: só eu mando’. Ela vai deixar saudades.”